quinta-feira, 7 de abril de 2011

CÉLULAS-TRONCO (CT)


                

O corpo humano é formado por mais de 200 tipos de células, e entre elas estão as células-tronco, um dos objetos de estudo da ciência genética que têm atraído a atenção nos últimos tempos. A nova lei brasileira já determina que o uso de embriões para pesquisas está liberada, mas só podem ser utilizados os que estiverem congelados há mais de três anos. E é preciso ter autorização dos genitores para, através de um comitê de ética, a realização de estudos. A lei proíbe a venda de embriões e a clonagem. A célula-tronco é um tipo de célula que pode se diferenciar e constituir diferentes tecidos no organismo. Esta é uma capacidade especial que não é encontrada nas demais células que, geralmente. só podem fazer parte de um tipo de tecido específico. A outra capacidade das células-tronco é a auto-replicação, ou seja, gerar cópias idênticas de si mesmas. Devido a essas duas capacidades é que as células-tronco são objeto de intensas pesquisas, hoje em dia, porque poderão, no futuro, funcionar como células substitutas de tecidos lesionados ou doentes, como o caso do Mal de Alzheimer, Parkinson e demais doenças neuromusculares em geral, ou ainda no lugar de células que o próprio organismo deixa de produzir por alguma deficiência, como no caso de diabetes.

As células-tronco são classificadas como:

* Totipotentes ou embrionárias - as que conseguem diferenciar-se em todos os 216 tecidos, inclusive a placenta e anexos embrionários;
* Pluripotentes ou multipotentes - as que conseguem diferenciar-se em quase todos os tecidos humanos menos os acima mencionados;
* Oligopotentes - aquelas que conseguem diferenciar-se em poucos tecidos; e
* Unipotentes - as que conseguem diferenciar-se em um único tecido.
O que torna a célula-tronco capaz de formar um tecido ou outro é a ordem ou o comando durante o desenvolvimento do embrião humano, que uma célula-tronco pluripotente se diferencie em tecido específico, como fígado, osso, sangue etc., o que ainda é objeto de muitas pesquisas.

(Abreviações: CT – célula-tronco, CTE- célula-tronco embrionária e CTH - célula-tronco humana )

IMPORTÂNCIA NA ENGENHARIA GENÉTICA

O potencial ilimitado de auto-renovação e a capacidade de originar linhagens celulares com diferentes funções impulsionaram pesquisas sobre as aplicações terapêuticas dessas células. Os principais alvos têm sido as doenças crônicas, (doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, nefropatias, diabetes tipo 1, o acidente vascular cerebral, as doenças hematológicas, as imunodeficiências, e traumas da medula espinhal, onde o objetivo mais imediato é reparar ou reconstituir o tecido afetado pela doença. As primeiras aplicações terapêuticas de CT ocorreram com o uso de células multipotentes derivadas de tecidos adultos, tanto em transplantes autólogos como em alogênicos, enquanto o uso de CTE ainda está limitado aos experimentos com modelos animais. A maior experiência está no uso de células-tronco derivadas do tecido hematopoético, as CTH, que já são largamente empregadas como alternativa ao transplante de medula óssea no tratamento de leucemia aguda e leucemia mielóide crônica com excelentes resultados1.

TERAPIAS COM CÉLULAS TRONCO:

Aplicações em cardiologia:



Em cardiologia as CTH autólogas (coletadas da medula óssea do próprio paciente) são ainda as células de escolha para uso em procedimentos que visam a regenerar o músculo cardíaco afetado por infarto. O emprego de CT pode atenuar danos causados ao coração em decorrência de hipertensão, insuficiência crônica, doença da artéria coronária ou ataque cardíaco, contribuindo para uma redução da taxa de morbidade. Estudos pré-clínicos com modelos animais de infarto agudo do miocárdio constataram a regeneração de músculo e a formação de neo-vasos em área infartada, após transplantes de CT alogênicos. Em seres humanos, esses resultados foram confirmados em estudos de fase I com CTH multipotentes da medula óssea e mioblastos esqueléticos, abrindo a possibilidade do uso de células autólogas nesses procedimentos.

Aplicações em Neurologia:

Entre as primeiras aplicações da terapia celular em neurologia está o tratamento da esclerose múltipla, uma doença inflamatória crônica do sistema nervoso central, de natureza autoimune, com déficit neurológico progressivo. O tratamento convencional emprega drogas imunossupressoras, mas há casos refratários onde a terapia celular com CTH aparece como alternativa. O procedimento consiste em intensa imunossupressão por quimioterapia e /ou radioterapia, seguida da reconstituição do sistema imune com CTH autólogas ou alogênicas. Ou seja, procura-se eliminar as células do sistema imune do paciente que estão agredindo seu sistema nervoso e substituí-las por novas células derivadas das CTH. As CTH do paciente com esclerose múltipla refratária são mobilizadas para a circulação periférica com o uso de determinadas drogas, coletadas e congeladas. A seguir o paciente submete-se à imunossupressão com quimioterapia e, depois, à reconstituição hematopoiética, feita com suas próprias CTH que haviam sido congeladas. O próximo desafio nessa área são as doenças cérebro-vasculares. O interesse mais imediato é o emprego de CT na redução de morbidade após o acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI), uma doença com altas taxas de mortalidade e morbidade no Brasil.

Perspectivas futuras:


O potencial terapêutico das CT vem se afirmando como altamente promissor. A caracterização cada vez mais detalhada de novos tipos de CT em tecidos maduros e a exploração de fontes alternativas de CT, como o sangue de cordão umbilical, é uma linha de pesquisa relevante no rumo da medicina regenerativa. Mas não é o único caminho a ser trilhado nesse rumo. De grande interesse é também o estudo das CTE. O uso de CTE está na agenda dos governos em muitos países, com fortes pressões a favor e contra o uso de blastocistos humanos oriundos de fertilização in vitro como fonte dessas células. É absolutamente certo que a pesquisa com CTE pode abreviar o tempo necessário para se dominar os caminhos que levam as CT a se transformar em células do sangue, dos músculos ou do sistema nervoso. Existe a possibilidade de que, para algumas aplicações terapêuticas, essas células venham a se mostrar imprescindíveis.

Fontes:

http://www.comciencia.br/reportagens/celulas/09.shtml
http://www.racionalismo-cristao.org.br/gazeta/razao/celulas-tronco.html
http://celulas-tronco.wikidot.com/paradoxo:ciencia-x-religiao
http://www.todabiologia.com/genetica/celula_tronco.htm

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